sexta-feira, 3 de julho de 2026

Composição e decomposição em ATPC: uma estratégia para recompor aprendizagens

Uma experiência da Matemática que inspira práticas nas Ciências Humanas


A Recomposição das Aprendizagens acontece, sobretudo, quando transformamos desafios em oportunidades de ensinar de diferentes maneiras. Foi exatamente essa inspiração que encontrei no mais recente Giro Pedagógico da Recomposição das Aprendizagens, em que a Coordenadora Pedagógica Cátia Francisco compartilha uma experiência desenvolvida durante a ATPC de Recomposição.





Na formação, os professores vivenciaram uma proposta utilizando o Material Dourado para desenvolver uma habilidade em defasagem na área de Matemática, relacionada à composição e decomposição de números. Mais do que revisar um conteúdo, a atividade permitiu que os docentes experimentassem uma metodologia ativa, concreta e significativa, refletindo sobre como diferentes representações favorecem a construção do pensamento matemático.

Essa experiência nos convida a refletir sobre um aspecto essencial da Recomposição: a metodologia é tão importante quanto o conteúdo. Quando o estudante manipula materiais, estabelece relações, testa hipóteses e verbaliza seu raciocínio, as possibilidades de aprendizagem tornam-se muito mais consistentes.





Mas será que a ideia de composição e decomposição pode inspirar também as aulas de Ciências Humanas?

A resposta é sim.

Embora os conceitos tenham origem na Matemática, a lógica de "compor" e "decompor" conhecimentos está presente em diversas habilidades previstas no Currículo Paulista e pode enriquecer o trabalho com as aprendizagens essenciais de Geografia e História.

Na Geografia, por exemplo, podemos propor que os estudantes decomponham uma paisagem em seus diferentes elementos: relevo, hidrografia, cobertura vegetal, atividades econômicas, formas de ocupação humana e infraestrutura. Após essa análise, o desafio é recompor a paisagem, compreendendo como esses elementos se relacionam e produzem o espaço geográfico.

Outra possibilidade é trabalhar mapas temáticos. Inicialmente, cada mapa apresenta apenas uma informação — clima, vegetação, densidade demográfica, uso da terra ou rede urbana. Em seguida, os estudantes sobrepõem essas informações para compreender fenômenos mais complexos, percebendo que o espaço resulta da interação entre múltiplos fatores.

Nas habilidades relacionadas ao território, à regionalização e às dinâmicas socioespaciais, a decomposição também favorece a compreensão dos diferentes componentes que constituem um fenômeno geográfico. Um processo de urbanização, por exemplo, pode ser analisado em partes: crescimento populacional, expansão da malha urbana, mobilidade, oferta de serviços públicos, impactos ambientais e desigualdades socioespaciais. Posteriormente, esses elementos são integrados para que o estudante compreenda o fenômeno em sua totalidade.

Em História, essa lógica pode ser aplicada ao estudo dos processos históricos. Antes de compreender um acontecimento em sua complexidade, os estudantes podem analisar separadamente seus antecedentes, contexto histórico, agentes envolvidos, causas, consequências e permanências. Ao recompor essas informações, desenvolvem uma visão mais crítica e contextualizada dos acontecimentos.

O Material Digital também oferece excelentes oportunidades para esse tipo de trabalho. Diversas propostas presentes nas sequências didáticas podem ser reorganizadas em etapas, permitindo que os estudantes investiguem fontes, analisem imagens, mapas, gráficos, tabelas e textos antes de elaborar sínteses coletivas. Essa organização favorece a aprendizagem por investigação e dialoga diretamente com as competências previstas no Currículo Paulista.

Outro recurso interessante consiste em utilizar infográficos, mapas conceituais e esquemas visuais para que os próprios estudantes decomponham um conceito complexo — como território, paisagem, lugar, migrações ou redes geográficas — identificando seus elementos constituintes e, posteriormente, reconstruindo o conceito com suas próprias palavras e exemplos.

A experiência compartilhada pela professora Cátia Francisco reforça uma mensagem importante: a Recomposição das Aprendizagens não se resume à retomada de conteúdos. Ela pressupõe planejamento intencional, metodologias diversificadas e situações de aprendizagem que permitam ao estudante reconstruir conhecimentos de forma significativa.

Quando observamos boas práticas desenvolvidas em diferentes componentes curriculares, ampliamos nosso repertório pedagógico e percebemos que estratégias bem-sucedidas podem ser adaptadas para diversas áreas do conhecimento.

Que essa experiência inspire outros professores e coordenadores pedagógicos a experimentarem novas formas de ensinar, fortalecendo o trabalho colaborativo nas ATPCs e contribuindo para que todos os estudantes avancem em suas aprendizagens.

E você? Como tem desenvolvido a Recomposição das Aprendizagens em sua escola? Compartilhe suas experiências. A troca de boas práticas fortalece nossa rede e amplia as possibilidades de aprendizagem para todos.



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